Sustentabilidade: Bancos devem avaliar riscos ambientais

Fonte: BB | Data: 03 de march, 2015



Fonte: BB

Monitorar os investimentos para prevenir riscos de danos sociais e ambientais deveria ser o mantra de todos os bancos. Esse recado veio do economista indiano Pavan Sukhdev nesta quinta-feira, em Brasília, durante um seminário realizado no âmbito do Programa Água Brasil.

O economista insistiu que riscos socioambientais precisam ser identificados, classificados e monitorados de perto. Para ele, todas as atividades e operações bancárias têm de levar em conta a avaliação prévia dos potenciais impactos socioambientais.

Além disso, os impactos devem fazer parte da avaliação de risco dos empréstimos. “Têm de entrar na contabilidade”, disse Sukhdev. Para ele, os bancos devem ter uma estrutura de governança para implementar as ações da política socioambiental, incluindo o seu monitoramento, avaliação de efetividade e o gerenciamento do risco.

Segundo Sukhdev, o Brasil tem uma legislação capaz de canalizar investimentos consideráveis para a economia verde. Ele citou como exemplo a resolução 4327, de abril deste ano, e que dispõe sobre as diretrizes das políticas de responsabilidade socioambiental para as instituições financeiras do país.

O palestrante acredita que, imbuídas dos princípios da normativa dos banco centrais, as instituições financeiras nacionais podem liderar mudança significativa no jeito usual de fazer negócios.

“Ao financiar a agricultura e a pecuária, o banco – qualquer banco – precisa levar em conta o quanto a atividade está gerando efeitos negativos (externalidades) tanto para a natureza quanto para a sociedade”, disse o palestrante.

O economista saudou as iniciativas de sustentabilidade do Banco do Brasil, mas enfatizou que é necessário ser ainda mais eficaz e profundo nas medidas que apoiem a sustentabilidade.

“Os limites do planeta estão sendo estourados”, lembrou. A Política Socioambiental prevista na resolução do Banco Central, comentou o palestrante, deve nortear as ações dos bancos, envolvendo não só os negócios, mas como eles se relacionam com a clientes e usuários dos produtos e serviços oferecidos.

Além disso, a política deve incluir ações estratégicas relacionadas com a governança dessas instituições. “É preciso gerenciar a possibilidade de haver perdas para as instituições financeiras provocadas por danos à sociedade e ao meio ambiente”, disse o economista.

Vanguarda

Ex-diretor do Deutsche Bank, Sukhdev liderou em 2007 um estudo pioneiro para quantificar o impacto econômico da destruição da natureza, estimado em de trilhões de dólares por ano.

Desde então, ele dissemina pelo mundo afora os princípios da economia verde (ou de baixas emissões de carbono). Ele defende que os governos deveriam taxar a poluição e as empresas incluir na sua contabilidade os danos ambientais.

Os estudos conduzidos por Sukhdev dialogam com o mais novo relatório do WWF, o Planeta Vivo, que mostra a destruição da natureza a uma velocidade brutal, e a um custo altíssimo para a economia e para a sociedade, algo em torno de US$ 4,7 trilhões.

O valor considera os benefícios econômicos dos ecossistemas, também chamados de serviços ecossistêmicos: ciclo de chuvas, clima estável, entre outros fatores que influenciam a aspectos econômicos cruciais, como capacidade da agricultura de um país.

O solo, a polinização – essencial para o ciclo das plantas, a proteção dos mananciais, os fármacos, os ingredientes da cosmética. Tudo entra na conta dos benefícios.

Fora que a natureza também é o motivo que faz com que as pessoas viagem de um lugar ao outro em busca de encantamento e espiritualidade. E isso gera o turismo, um benefício indireto.

Para o estudioso, algumas empresas já compreenderam bem essa relação e passaram a adotar práticas verdes. Mas ele também considera que é preciso ter mais escala e ser mais ágil nesse posicionamento.

Novas leis, incentivos e subsídios precisam ser criados imediatamente para estimular a economia a mudar seu modo de ser e estar.