Políticas Públicas: Custo econômico dos acidentes nas rodovias federais: Cerca de 40 bi por ano

Fonte: IPEA | Data: 18 de november, 2015

Fonte: IPEA
O Ipea, em parceria com a Polícia Rodoviária Federal, apresentou o relatório de pesquisa Acidentes de Trânsito nas Rodovias Federais Brasileiras: caracterização, tendências e custo para a sociedade, com dados de 2007 a 2014. Em 2014, os acidentes de transporte terrestre no país mataram cerca de 43 mil pessoas e os acidentes nas rodovias correspondem a 20% dessas mortes. Participaram da entrevista coletiva o diretor de Estudos e Pesquisas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea, Marco Aurélio Costa, a diretora-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Maria Alice Souza, o coordenador do estudo e técnico de planejamento de pesquisa do Ipea, Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, e o chefe do Núcleo de Estatística da PRF, Marcos Vinícius Moreira.
“Não podemos mais tratar as mortes como fatalidade, precisamos trabalhar preventivamente para reduzir esses números”, enfatizou Maria Alice. Segundo ela, cerca de 80% dos municípios não têm órgãos nem agentes fiscalizadores de trânsito, o que aumenta as irregularidades. Já o diretor do Ipea apontou o crescimento vertiginoso da frota no país, motivada pelo desenvolvimento econômico da população. “Desde 2003, tivemos um incremento de 270% na frota de automóveis e motocicletas, o que trouxe pontos positivos e negativos”, ponderou.
Apenas em 2014, ocorreram 170 mil acidentes em rodovias do país, com 8 mil mortes e mais de 100 mil feridos. “64,7% dos custos desses acidentes estavam associados diretamente às vítimas, relacionados aos cuidados de saúde e perda de produção laboral”, destacou Carlos Henrique.
O custo do acidente em si, no caso de óbito, é de R$ 646 mil. Em média, um acidente numa rodovia federal custa à sociedade R$ 72 mil reais. Quando avaliados os acidentes nas rodovias federais, estaduais e municipais, a estimativa global gira em torno de R$ 40 bilhões por ano.
O custo médio de acidentes envolvendo motos é maior que o daqueles com automóveis. Apesar de os carros se envolverem na maior parte dos acidentes, 75%, seu custo gira em torno de 66%. Já entre as motos, que estão presentes em cerca de 18% dos acidentes, os custos chegam a 26% do total. Para Carlos Henrique, é necessária a implementação de políticas públicas perenes e um trabalho contínuo de campanhas educacionais para esse público. “O foco principal precisa ser a utilização dos equipamentos de segurança e o aulas de educação de trânsito ainda no ensino básico, como já prevê o Código Brasileiro de Trânsito.”
A idade produtiva da população, entre 15 e 60 anos, é a mais afetada pelos acidentes. 84% das pessoas envolvidas em acidentes fatais estão nessa faixa etária. Os acidentes mais graves são os de colisão frontal, saída de pista – sobretudo devido ao excesso de velocidade – e atropelamento, com a imprudência tanto dos motoristas quanto dos pedestres. “Curiosamente, verificamos que os atropelamentos ocorrem nos trechos urbanos (72%), mais da metade aos fins de semana e na maioria das vezes à noite”, explicou Marcos Vinicius. Outro ponto importante foi a constatação de que quase todas as mortes, 94%, ocorreram em pistas simples, o que demonstra uma necessidade urgente da duplicação ou melhores sinalizações nas rodovias brasileiras.
Em 2014, houve cerca de 2,3 mil mortes em acidentes com envolvimento de pelo menos uma moto. A região Nordeste concentrou cerca de 44% dessas fatalidades, enquanto regiões com frotas bem maiores, como o Sul, esse percentual chegou a 17%. “Nessas localidades, a pessoa geralmente não tem habilitação e há casos em que andam com até sete pessoas em cima de uma moto, sem capacete e sem fiscalização do Estado”, apontou Marcos Vinicius.
Por fim, foi destacada a necessidade de garantir que os recursos provenientes de multas, algo em torno de R$ 6 bilhões/ano, tenham destinação exclusiva para a educação no trânsito. A implantação de mais radares nas rodovias, além da fiscalização da jornada de trabalho dos motoristas profissionais, com exames toxicológicos e controle das paradas para descanso durante a madrugada, também são medidas necessárias para reduzir os números de acidentes no país. O acompanhamento da regulamentação internacional foi apontado como fundamental. “Depois de 10 anos de uso em outros países, apenas há pouco tempo estamos exigindo o airbag e o freio ABS nos automóveis. Muitas vidas foram perdidas por essa defasagem”, enfatizou Carlos Henrique