Prevenção e Combate ao mal de Alzheimer: Estudos importantes

Fonte: DW | Data: 17 de february, 2018

Fonte: DW

Pesquisadores no Japão e na Austrália afirmaram ter alcançado avanços significativos no desenvolvimento de um exame de sangue que deverá no futuro ajudar os médicos a avaliar a propensão de um indivíduo de desenvolver o mal de Alzheimer.

No estudo publicado pela revista científica Nature os cientistas disseram que o teste – que pode detectar uma proteína conhecida como beta-amiloide, associada à ocorrência de Alzheimer – apresentou 90% de exatidão em pesquisas envolvendo 252 australianos e 121 japoneses entre 60 e 90 anos de idade. Atualmente, os médicos realizam exames de varredura no cérebro ou testes de fluído cerebrospinal (ou líquido cefalorraquidiano) para verificar se os pacientes têm beta-amiloide acumulada no cérebro. Esses testes, porém, são invasivos, de alto custo e apresentam resultados apenas quando a doença já está em andamento.

Apesar de décadas de pesquisas científicas, não há tratamento que possa desacelerar o desenvolvimento do mal de Alzheimer. Os medicamentos podem apenas aliviar alguns dos sintomas.

Um exame de sangue simples e de baixo custo deverá permitir que empresas farmacêuticas encontrem um grande número de pessoas em risco de desenvolver a doença para testar novos medicamentos, afirmou o pesquisador Katsuhiko Yanagisawa, que coliderou o estudo no Centro Nacional de Geriatria e Gerontologia no Japão.

Acredita-se que o mal de Alzheimer comece a se desenvolver anos antes de os pacientes demonstrarem sintomas como perda de memória. Os especialistas dizem que um fator importante para encontrar um tratamento eficiente será a habilidade de detectar sinais da doença ainda no estágio inicial.

"Temos que aprender a diagnosticar a doença para então podermos ver os efeitos da intervenção terapêutica. É aí que o verdadeiro valor dos testes se manifestará", disse Colin Masters, professor da Universidade de Melbourne, que também coliderou o estudo.

RC/rtr

Vide, da mesma fonte (DW), sobre o assunto:

Não há maneiras comprovadas de evitar a doença de Alzheimer, o tipo de demência mais comum, mas um estudo publicado nesta quinta-feira (20/07) aponta que combater riscos-chave desde a infância possa retardar ou até mesmo evitar cerca de um terço dos casos de demência em todo o mundo.

Segundo o estudo, publicado na revista científica britânica Lancet, fatores de estilo de vida, como sedentarismo e falta de interação social, podem tornar o cérebro mais vulnerável a problemas de memória e de raciocínio à medida que envelhecemos.

Um painel designado pela revista Lancet criou um modelo de risco de demência ao longo da vida que estima que cerca de 35% de todos os casos sejam atribuíveis a nove fatores de risco – que as pessoas potencialmente poderiam mudar.

As recomendações são: garantir uma boa educação na infância; evitar hipertensão, obesidade e tabagismo; gerenciar diabetes, depressão e perda auditiva relacionada à idade; ser fisicamente ativo; permanecer socialmente engajado na velhice.

A teoria é que esses fatores juntos influenciam a resiliência do cérebro para suportar anos de dano silencioso, que eventualmente resulta na doença de Alzheimer.

Os autores do estudo reconhecem que se trata de uma estimativa teórica, com base em estatística. Um relatório recente dos EUA foi muito mais cauteloso, afirmando que existem sugestões encorajadoras de que algumas mudanças de estilo de vida podem reforçar a saúde cerebral, mas que há pouca ou nenhuma prova.

Ainda assim, nunca é tarde para tentar, segundo o autor principal do artigo publicado na Lancet, Gill Livingston, professora de psiquiatria na University College de Londres. "Embora a demência seja diagnosticada na vida adulta, as alterações cerebrais geralmente começam a se desenvolver anos antes", observou.

No início do próximo ano, um estudo de 20 milhões de dólares começará a testar rigorosamente se algumas simples atividades diárias realmente ajudam os idosos a se manterem aguçados. Enquanto isso, especialistas em Alzheimer defendem que há de fato algumas vantagens em certas recomendações de senso comum.

"O aumento da saúde do corpo ajuda a aumentar a saúde do cérebro", disse a neurocientista Laura Baker, da Wake Forest School of Medicine na Carolina do Norte, que liderará o próximo estudo americano.

No mês passado, as Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA comunicaram que há pouca prova em relação a tais recomendações. O relatório determinou algumas evidências de que controle de pressão arterial, exercício físico e certas formas de treinamento cerebral – mantendo o cérebro intelectualmente estimulado – podem funcionar.

Isso porque o que é bom para o coração geralmente é bom para o cérebro. De fato, a pressão arterial elevada, que pode desencadear ataques cardíacos e derrames, também aumenta o risco da chamada "demência vascular". E quanto mais aprender, mais conexões o cérebro forma – o que cientistas chamam de reserva cognitiva.

A evidência mais forte de que as mudanças de estilo de vida ajudam a prevenir e combater o Alzheimer vêm da Finlândia, onde um grande estudo aleatório descobriu que idosos com alto risco de demência obtiveram melhores resultados em testes cerebrais após dois anos de exercícios, dieta balanceada, estimulação cognitiva e atividades sociais.

PV/ap/ots