Ética: Edição genética em debate

Fonte: DW | Data: 17 de august, 2018

Fonte: DW


Melhorar os genes de bebês ainda não nascidos deveria ser permitido do ponto de vista ético, afirmou em 16/07/2018 um painel de médicos de uma fundação britânica que se ocupa com questões de bioética. Novas tecnologias que permitem a médicos editar o DNA de um embrião para reduzir os riscos de desenvolvimento de doenças na fase adulta são proibidas em vários países.


Mas o Conselho Nuffield de Bioética afirmou que alterações genéticas que garantam uma vida melhor para as pessoas podem ser moralmente aceitáveis desde que não aumentem a discriminação e a divisão social. "O uso potencial da edição de genomas para influenciar características de gerações futuras não é por si só inaceitável", disse a presidente do painel, Karen Yeung, uma professora de lei e ética na Universidade de Birmingham University. "Não há motivos para simplesmente descartá-la."


O painel não defendeu uma mudança na legislação britânica, mas que sejam feitas pesquisas sobre a segurança e os efeitos da tecnologia, também na sociedade, bem como um amplo debate. Opositores da edição genética afirmam que ela poderá levar à criação de pessoas que teriam vantagens genéticas injustas sobre os outros, o que ampliaria as desigualdades sociais.


Um dos principais opositores no Reino Unido, o cientista David King, afirmou que as posições do Conselho Nuffield levariam à criação de "bebês sob medida", para os quais os pais poderiam escolher as características genéticas. "Precisamos de uma proibição internacional para a criação de bebês geneticamente editados", afirmou.  O debate ocorre na sequência de um alerta de que a mais promissora tecnologia de edição genética, a CRISPR/Cas9, pode ser mais perigosa do que se pensava.


Cientistas que testaram a tecnologia em células humanas e de camundongo concluíram que ela frequentemente leva a mutações genéticas não desejadas, afirmou um estudo publicado nesta segunda-feira na revista Nature Biotechnology. "Descobrimos que mudanças no DNA foram seriamente subestimadas até agora", disse o cientista britânico Allan Bradley, um dos autores do estudo. Outro estudo, publicado no mês passado, sugere que a CRISPR/Cas9 pode elevar o risco de câncer em algumas células.