Marcapasso sem bateria: Conheça

Fonte: DW | Data: 11 de august, 2019

Fonte: DW


Um marca-passo sem bateria que coleta energia exclusivamente de batimentos cardíacos foi testado com sucesso em porcos. A energia retida acabou se revelando ainda maior do que exigida pelos marca-passos atuais, abrindo caminho para que um dia pacientes disponham de uma fonte de energia permanente para seus implantes.


"Poderia ser um implante para a vida toda", disse o principal autor do estudo, Zhou Li, da Academia de Ciências Chinesa. "Essa é a nossa meta e o objetivo final da pesquisa científica neste campo."


Milhões de pessoas no mundo todo vivem com marca-passos, pequenos implantes elétricos que ajudam a regular os batimentos cardíacos após uma doença crônica ou aguda. Porém, apesar dos avanços tecnológicos, as baterias utilizadas são muitas vezes rígidas e volumosas, eventualmente tendo que ser substituídas várias vezes.


Experimentos com os chamados "coletores de energia" – dispositivos que extraem energia de impulsos corporais – já haviam sido feitos nos últimos anos, mas apenas em pequenos animais, como ratos. Somente agora os pesquisadores conseguiram usar tal dispositivo em porcos adultos com sucesso.


A escolha de porcos como cobaias se deu pelo fato de que seus corações são aproximadamente do mesmo tamanho do que os de humanos. O gerador implantável, desenvolvido pela equipe de pesquisadores da China e dos EUA, é acoplado à superfície do coração e se contrai a cada batimento cardíaco. O movimento gera energia cinética, que, por sua vez, aciona o marca-passo.


Como a fisiologia dos porcos é semelhante à dos seres humanos, pacientes com problemas cardíacos podem vir a se beneficiar dos aparelhos no futuro, afirma o estudo, publicado na revista Nature Communications.


Os pesquisadores enfatizaram, no entanto, que a segurança a longo prazo, assim como a longevidade dos dispositivos devem ser mais estudadas antes do desenvolvimento de uma versão para humanos.


"Os resultados do estudo são muito encorajadores, mas ainda há muito trabalho a ser feito antes que ele possa ser utilizado em seres humanos", afirmou Tim Chico, professor de Medicina Cardiovascular da Universidade de Sheffield, citado pela publicação New Scientist.


"O dispositivo de coleta de energia teria que ser inserido ao redor do órgão em uma cirurgia de coração aberto, algo muito mais invasivo do que o necessário nos marca-passos atuais e que limitaria muito quem poderia utilizá-lo", aponta Chico, que não esteve envolvido no estudo. Uma possível solução seria utilizar outros músculos para alimentar o dispositivo, diz.